O país passa por eleições presidenciais após um
ano da queda do ditador Hosni Mubarak
A Primavera
Árabe estourou em 2010 na Tunísia.O ato de um estudante desesperado frente às
condições de vida no país foi o estopim para uma série de manifestações.
No Egito, dezoito dias após o ínicio dos
protestos, o ditador Hosni Mubarak foi obrigado a renunciar.O Conselho Militar
passou, então, a governar o país.
Só agora, após um ano do acontecimento,
os egípcios escolherão um novo presidente.O primeiro turno ocorreu nos dias 23
e 24 deste mês, mas nenhum dos candidatos atingiu a maioria absoluta dos
votos.Assim as eleições vão continuar nos dias 16 e 17 de junho.
O processo eleitoral não está afastado de
polêmicas, a organização Shayfeencum,
responsável
por fiscalizar o mesmo, acusa a Junta Militar de forjar votos por meio de
eleitores inexistentes.A organização aponta um aumento de 10% no eleitorado em
comparação com as eleições parlamentares de janeiro.
O segundo turno será disputado por Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, e Ahmad
Shafiq, um ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak.
Mohammed Mursi é militante do grupo
anti-israelense Comitê para a Resistência ao Sionismo, ligado à Irmandade
Muçulmana.Esteve ativamente presente na oposição ao regime de Mubarak e teve o
maior número de votos no primeiro turno das eleições, refletindo a posição
política da população.
Já Ahmad Shafiq é visto como alguém
capacitado mas disposto a ceder à pressão política e, portanto, que não
representaria as mudanças que a sociedade busca nesse momento histórico.É o que
afirma o professor de Relações Internacionais Hermes Moreira Junior, da
Universidade Federal de Grande Dourados (MS).
Serão vários os desafios para o futuro
novo presidente.O Egito sofre com uma alta taxa de desemprego.A população pede,
principalmente, por mais segurança e maior crescimento econômico.
Hermes destaca o cuidado necessário para
alcançar a estabilidade no país.”Será necessário um bom manejo político para
evitar a polarização do parlamento e conduzir a articulação de uma nova
constituição.Além do mais, , a transição com os militares que estão no poder
precisa ser muito bem estruturada para evitar resquícios de sua participação no
novo regime.”
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