domingo, 17 de março de 2013

História do Afeganistão será reescrita em livros escolares (31/08/12)


O Ministério da Educação afegão decidiu retirar quatro décadas da história do país do currículo escolar

 Tanto quanto o presente, o passado do  Afeganistão foi marcado por invasões e conflitos, porém o Ministério da Educação aprovou um novo currículo escolar de História, que pretende apagar alguns dos seus momentos mais conturbados.O material, que já começou a ser distribuído nas escolas do país, aparece com um hiato referente às últimas quatro décadas. É como se a história do país parasse nos anos 70.
 Diante de inúmeras discordâncias em relação ao início da guerra civil ou até mesmo a descrição dos grupos étnicos do país, os educadores responsáveis pelo material sugeriram que o período após a destituição, em 1973, do rei Mohammed Zahir Shah fosse omitido. Assim, não há detalhamento sobre como Shah foi derrubado pelo seu primo Sardar Mohammad Daud Khan, primeiro-ministro entre 1953 e 1963.
 Além disso, os diversos golpes dos anos 70, a invasão soviética em 1979, os governos comunistas em Cabul, a presença dos Estados Unidos desde 2001 e da Otan nem aparecem no novo currículo. Já a guerra civil entre facções mujahedin na década de 90, após retirada dos soviéticos, e que teve como conseqüência a criação do grupo fundamentalista islâmico Talibã é apenas citada.
 A justificativa para decisão foi a de eliminar, do aprendizado de crianças e jovens, as divisões étnicas e culturais que cercam a nação asiática e assim, tentar modelar um futuro melhor. Farooq Wardak, ministro da Educação do Afeganistão, ao defender o novo currículo, afirma que este não possui “ênfase política ou confessional”, o que de certa forma, retiraria visões e ideologias extremistas que permeavam os antigos livros. Porém, Ana Alice Ferreira, doutora em História Social da Cultura pela PUC-RJ faz uma ressalva: “A história de qualquer país é construída em cima dos interesses de uma camada da sociedade, portanto a atitude do governo afegão se enquadra nessa linha, a história não está isenta dos preconceitos sociais e das intenções políticas.”
 Em um país onde a liberdade de expressão é um tanto quanto limitada e o acesso à internet é restrito, a conduta do governo afegão pode ter uma imagem negativa. O professor afegão Abdul Qodoas, que foi entrevistado pela BBC no país, adverte: "Um dos principais objetivos de estudar História é não repetir os erros do passado. Se os alunos não aprenderem sobre a violência do passado, como vão evitá-la no futuro?" Ou seja, induzir os jovens a um ensino fragmentado, excluindo, em partes, a possibilidade de conhecimento dos seus antecedentes e de entendimento do próprio presente do país pode não trazer a desejada união a que Farooq Wardak se refere.






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