domingo, 17 de março de 2013

Após 18 anos, Argentina e Irã mostram interesse em dialogar sobre atentado (05/10/12)

Na quinta-feira, 27, os governos de ambos os países concordaram em continuar as negociações sobre o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994



 Em meio a Assembleia Geral da ONU em Nova York, os ministros de Relações Exteriores da Argentina e do Irã, Héctor Timerman e Ali Akbar Salehi, respectivamente, confirmaram na quinta-feira, 27, o comunicado proferido dois dias antes pela presidente argentina, Cristina Kirchner, de que os países irão retomar as negociações sobre o atentado contra a Amia em 1994. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad também havia pedido que esquecessem “os mal-entendidos” entre Buenos Aires e Teerã. Os representantes legais de ambos os ministérios devem se reunir este mês na sede da ONU em Genebra. Eles concordam que o processo de diálogo não pode ser interrompido até que se encontre uma solução “mutuamente estipulada” pelos dois governos.
 Carlos Eduardo Vidigal, professor de História da UnB, comenta que os governos mantiveram-se afastados por quase 20 anos devido ao resultado das investigações do caso, que apontaram o envolvimento de funcionários da Embaixada iraniana na capital argentina. Pode ter sido esta a mesma razão pela qual a comunidade judaica e o presidente da Amia, Guillermo Borger, criticaram o estabelecimento de um diálogo direto com o Irã.
 Enquanto para o professor de Relações Internacionais da UFF Emerson Maione de Souza, as pretensões argentinas estão ligadas à vontade de ajudar a justiça do país a esclarecer a questão, o professor Tomaz Espósito Neto, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, aponta o viés econômico de um possível acordo:
 “A Argentina procura abrir um mercado fechado desde 1994. É parte de uma iniciativa argentina de estreitar os laços econômicos com os países árabes. Já o Irã procura sair do isolamento internacional imposto pelas grandes potências, em razão do seu programa nuclear”.

O Caso

 O professor Maurício Santoro em sua tese de doutorado afirma que o país latino tornou-se alvo de ataques terroristas depois da posse em 1991 de Itzak Rabin como primeiro-ministro israelense. Rabin iniciou uma campanha de repressão ao grupo terrorista Hezbollah. No ano seguinte, o Hezbollah resolveu atacar um alvo judaico e escolheu a Embaixada de Israel em Buenos Aires, mas não parou por aí.

 A Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), que foi fundada em 1894 por um grupo de imigrantes judeus, em 18 de julho de 1994, diante da comemoração do centenário de sua criação,sofreu um ataque terrorista que destruiu sua sede em Buenos Aires, matando 85 pessoas e deixando outras centenas feridas. Doze anos mais tarde, os promotores argentinos Alberto Nisman e Marcelo Martinez de Burgos acusaram formalmente o governo do Irã de dirigir o ataque e o Hezbollah de realizá-lo. O Irã, por sua vez, sempre negou participação no ocorrido.

 Segundo o Prof. Dr. da FMU Ramiz Maddi Filho, a imensa comunidade judaica na Argentina pressiona o governo do país para solucionar o caso e mostra-se incrédula sobre os efeitos das negociações com os iranianos.





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