Em
meio a Assembleia Geral da ONU em Nova York, os ministros de Relações
Exteriores da Argentina e do Irã, Héctor Timerman e Ali Akbar Salehi, respectivamente,
confirmaram na quinta-feira, 27, o comunicado proferido dois dias antes pela
presidente argentina, Cristina Kirchner, de que os países irão retomar as
negociações sobre o atentado contra a Amia em 1994. O presidente iraniano,
Mahmoud Ahmadinejad também havia pedido que esquecessem “os mal-entendidos”
entre Buenos Aires e Teerã. Os representantes legais de ambos os ministérios
devem se reunir este mês na sede da ONU em Genebra. Eles concordam que o
processo de diálogo não pode ser interrompido até que se encontre uma solução
“mutuamente estipulada” pelos dois governos.
Carlos
Eduardo Vidigal, professor de História da UnB, comenta que os governos
mantiveram-se afastados por quase 20 anos devido ao resultado das investigações
do caso, que apontaram o envolvimento de funcionários da Embaixada iraniana na
capital argentina. Pode ter sido esta a mesma razão pela qual a comunidade
judaica e o presidente da Amia, Guillermo Borger, criticaram o estabelecimento
de um diálogo direto com o Irã.
Enquanto para o professor de
Relações Internacionais da UFF Emerson Maione de Souza, as pretensões
argentinas estão ligadas à vontade de ajudar a justiça do país a esclarecer a
questão, o professor Tomaz Espósito Neto,
graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, aponta o viés econômico de um
possível acordo:
“A
Argentina procura abrir um mercado fechado desde 1994. É parte de uma
iniciativa argentina de estreitar os laços econômicos com os países árabes. Já
o Irã procura sair do isolamento internacional imposto pelas grandes potências,
em razão do seu programa nuclear”.
O Caso
O professor Maurício Santoro em
sua tese de doutorado afirma que o país latino tornou-se alvo de ataques
terroristas depois da posse em 1991 de Itzak Rabin como primeiro-ministro
israelense. Rabin iniciou uma campanha de repressão ao grupo terrorista Hezbollah.
No ano seguinte, o Hezbollah resolveu atacar um alvo judaico e escolheu a
Embaixada de Israel em Buenos Aires, mas não parou por aí.
A Amia (Associação Mutual
Israelita Argentina), que foi fundada em 1894 por um grupo de imigrantes
judeus, em 18 de julho de 1994, diante da comemoração do centenário de sua
criação,sofreu um ataque terrorista que destruiu sua sede em Buenos Aires,
matando 85 pessoas e deixando outras centenas feridas. Doze anos mais tarde, os
promotores argentinos Alberto Nisman e Marcelo Martinez de Burgos acusaram
formalmente o governo do Irã de dirigir o ataque e o Hezbollah de realizá-lo. O
Irã, por sua vez, sempre negou participação no ocorrido.
Segundo o Prof. Dr. da FMU Ramiz Maddi Filho, a imensa comunidade judaica na Argentina pressiona o governo
do país para solucionar o caso e mostra-se incrédula sobre os efeitos das
negociações com os iranianos.
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