quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quando beber vira doença?

O consumo de álcool é socialmente aceito, mas o exagero pode torná-lo um vício

 As bebidas alcoólicas apresentam relação com um hábito cultural em vários países e o Brasil não fica de fora. Aqui o consumo de álcool é visto como prática social: os amigos se reúnem para beber, existem os famosos happy hours e a bebida está relacionada à festa e momentos de celebração.
 Mas até quando beber “socialmente” não é prejudicial à saúde? Em que estágio o consumo de álcool vira doença?
 A Organização Mundial da Saúde estabelece que o padrão de consumo aceitável de bebidas alcoólicas é de até duas doses* por dia para os homens e uma dose para mulheres, sendo que ambos não devem beber por pelo menos dois dias na semana.
 A diferença entre a quantidade de doses entre os gêneros estaria relacionada ao baixo nível da enzima álcooldesidrogenase no estômago das mulheres, o que faz com que a concentração de álcool no sangue delas seja maior se comparada com homens que ingerirem a mesma quantidade de bebida.
 Já o professor doutor Sandro Caramaschi, do Departamento de Psicologia da UNESP Bauru, entende que, por ser uma droga lícita, é difícil distinguir quando o consumo de álcool está relacionado apenas a uma prática social e quando este se torna exagerado a ponto de se desenvolver o alcoolismo.
 Ele também comenta que o período de produção de dependência do álcool é muito maior que o de outras substâncias, podendo demorar anos. E descarta a maior propensão de desenvolvimento da doença em determinada faixa etária ou gênero: “isso não existe, o que se verifica é que o consumo de álcool está aparecendo cada vez mais cedo e cada vez mais em mulheres(...)”.
 Caramaschi aponta dois determinantes para diagnosticar a doença. Um deles seria de caráter vivencial, ou seja, quando a bebida passa a interferir na convivência social e familiar do indivíduo. Outro método de diagnóstico é o uso de testes, como o chamado AUDIT (sigla em inglês para Teste de Identificação de Transtornos no Consumo de Álcool), realizado pela OMS.
 O teste define que há diversas formas de uso excessivo da bebida, como por exemplo altos níveis de consumo por dia, momentos freqüentes de intoxicação e o consumo que leva à dependência. Também cita que o estágio de dependência caracteriza-se por um conjunto de fenômenos comportamentais, psicológicos e cognitivos que se desenvolvem após repetido uso da substância em questão.
 Assim, neste ponto, é normal a pessoa desenvolver um desejo incontrolável pela bebida, o consumo inconseqüente e até mesmo a inversão de prioridades em sua vida, deixando de lado outras atividades para poder beber. A dependência alcoólica agrava e pode ser fator causador de outras doenças como gastrite hemorrágica, pancreatite, alterações no fígado, perda de memória e outros danos cerebrais. Nas mulheres, vem se verificando um novo tipo de anorexia associada ao álcool, a “anorexia alcoólica”.
 Há controvérsias sobre a possibilidade de cura da doença, alguns grupos acreditam que um indivíduo que um dia já foi dependente do álcool, será sempre alcoólatra e o tratamento para tal vício seria a total abstinência, outros defendem que pode haver um controle no consumo, transformando um alcoólatra em um “bebedor social”.


*Uma dose-padrão de bebida alcoólica (350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 50 ml de destilado) contém, aproximadamente, 10g de álcool puro





A Universidade não deve ficar fechada

A Extensão Universitária tem como base um trabalho coletivo e emancipatório


“Qual o retorno que ela [universidade] dá à sociedade?”. Esta é a questão levantada por Marcelo Carbone Carneiro, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da UNESP Bauru. Carbone, ao tentar definir o que seria um projeto de extensão. Para ele é difícil conceitualizar com precisão absoluta, mas é necessário que o conhecimento gerado se relacione com o meio social.
 A Pró-Reitoria de Extensão, PROEX, elenca 11 “áreas temáticas” que norteiam a definição de uma atividade de extensão. As áreas são: Cultura, Direitos Humanos, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia, Trabalho, Ciências Agrárias e Veterinárias, Espaços Construídos e Política e Economia.
 No Guia de Extensão Universitária, um dos objetivos apresentados é o de promover a democratização da cultura científica, artística e humanística, viabilizando uma relação transformadora entre universidade e sociedade. Além disso, entende-se que a extensão universitária tem o papel de discutir e criar novas metodologias e tecnologias, articulando ensino e pesquisa e intervindo na solução de situações-problema apresentadas por setores da cidade.
Um dos projetos que está bem contextualizado no sentido de tentar solucionar problemas da população é o “Jornal Ferradura”. A publicação que é bimestral existe há 6 anos e é feita somente por estudantes de Jornalismo da UNESP Bauru. Seu foco principal é o de tentar integrar o Ferradura Mirim, um bairro bauruense de periferia, ao restante da cidade. Mayara Alves Reis, uma das atuais editoras do jornal, garante que os resultados aparecem, como por exemplo a implementação de asfalto nas ruas principais do bairro, que antes eram de terra e a construção de um ecoponto, local de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho. Outro projeto com objetivo semelhante é o “Voz do Nicéia”, que busca chamar atenção para os problemas do bairro Nicéia, também na cidade de Bauru.