quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TEM QUE ABRIR AS PERNAS!

No contexto da ditadura militar e da censura, em 1969 foi criado um jornal que buscava por meio do humor fazer críticas, "driblar" a falta de liberdade de expressão e mudar certos pensamentos quadrados. Este jornal era o Pasquim, que teve como musa a atriz Leila Diniz, que para época era uma figura exuberante, destoante daquela sociedade, por falava sem pudores e viver a favor da liberdade, em todos os sentidos. Meu texto é inspirado na entrevista que Leila deu ao Pasquim, a qual teve enorme repercussão pelo seu modo debochado e pela quantidade de palavrões que a entrevistada usava. Além do mais, faz parte de um trabalho no qual eu e mais algumas amigas fizemos uma reedição do Pasquim.



Ah, se todos vivessem a la Leila Diniz! Imagina: deita, rala, rola, rock’n roll, tchau, vai embora, sem casamento, sem anelzinho, sem padrinhos. Pra que gastar dinheiro? Escolhe o parceiro (a), paga um jantar. Mais barato, mais fácil de desapegar! Esse mimimi de gente chata, moralista, toda essa enrolação. Casamento, amor, tudo blasfêmia, no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
Adão e Eva adoravam uma maçã como todo bom ser humano, gostavam mesmo é da parte dark, da sacanagem. “Proibido é mais gostoso!” – eles gritaram antes de serem expulsos do Jardim. Aliás, Jardim do Éden é essa sociedade, todos destinados a reprodução, a mocinha de família destinada ao marido. Coisa careta, tradição piegas! Viver de casinhos é mais legal, mais emocionante, porque no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
Sabe, todos deveriam adotar essa cultura de paz e amor, ela é bem bacaninha, com todo perdão do trocadilho. Essa história do prazer livre, liberar o corpo e não reprimir vontade parece até utopia, mas é linda, muito linda. O mundo seria tão mais feliz sem repressão! Tá com vontade? Vai lá e PÁ! Mas calma, porque até Leila Diniz tem seus pudores, a questão aqui é desejo, vontade. A diva diz: “Dou pra todos, mas não pra qualquer um.” E é assim que tem que ser. Abrir as pernas com critério, pode até ser pouquinho, porque no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
E se censurarem essas ideias, meu repúdio a esse amor brega, todo quadradinho, vou gritar pra todo mundo ouvir: VÃO DÁ SUAS PUTAS E SEUS VIADOS! Porque até vocês sabem que no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!





terça-feira, 15 de maio de 2012

1° de Maio e o "Occupy Wall Street"

O feriado foi cenário de reinvindicações ao redor do mundo e da volta do movimento americano.
 O Dia do Trabalho é um feriado comemorado em diversos países em 1° de maio, com exceção dos Estados Unidos, onde fora criado. No país, a data sempre foi motivo de manifestações e reivindicações trabalhistas. Este ano, diante da crise econômica mundial, a data foi marcada por um fortalecimento dos protestos, que foram contrários aos pacotes de austeridade anunciados pelos governos.

 Na Grécia houve uma paralisação geral. Funcionários do setor de transporte não exerceram suas funções e profissionais da saúde prometeram diminuir suas equipes nos hospitais públicos e privados. França, Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal também foram palco de manifestações e greves. A Turquia, país em que até 2010 protestos eram proibidos e duramente reprimidos, também participou. Em Cuba e na Rússia, a data foi comemorada pelo governo.

 O dia 1° de Maio marcou ainda a volta do movimento “Occupy Wall Street”, que propôs para o dia um “apagão do consumo”, o chamado “Um dia sem os 99%”. Iniciado há oito meses no centro financeiro de Nova York, consequencia da crise global que se estende desde 2008. O movimento contrapõe-se aos interesses das grandes instituições financeiras e o professor de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Marco Antonio Perruso, também questiona a atual democracia. “Parte dos participantes das "ocupações" e de outros movimentos correlatos no mundo mostram-se insatisfeitos com a democracia representativa. Compreendem que ela pouco pode diante da desigualdade inerente ao capitalismo, diante do poder econômico e dos grupos sociais privilegiados”, afirma.

 O OWS foi abafado em novembro, quando a polícia norte-americana expulsou os manifestantes de suas praças e os proibiu de continuarem instalados em suas sedes. Contudo, aproveitando o mês de maio, os ativistas retomaram seus trabalhos, e dizem que o “May Day” é apenas o começo. Já existe uma programação de ações semelhantes na Europa entre os dias 12 e 15 deste mês.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por trás da “Realidade”

 Criada em 1966,a revista “Realidade” trouxe para o Brasil o estilo literário do jornalismo.O famoso New Journalism de John Hersey,Truman Capote,entre outros,abrasileirou-se com a revista de proposta inovadora em uma época movimentada,a ditatura militar brasileira.


 Em 1964 um golpe de estado foi dado e João Goulart retirado do cargo de presidente do Brasil para que a ditatura militar tomasse seu lugar.Dois anos mais tarde,em meio a um cenário político contrário à liberdade de expressão,a editora Abril elaborava um projeto de uma revista semanal com enfoque em assuntos gerais e atuais.O projeto não deu certo e a solução foi montar uma revista mensal.

 

 Assim a “Realidade” foi se moldando,sua equipe formada especificamente por jovens entre 25 e 30 anos tinha uma proposta de um conteúdo bem mais aprofundado do que as demais publicações da época,eles queriam falar muito bem sobre qualquer assunto,queriam também “mostrar o Brasil como ele é”,porém estes jovens eram cautelosos e sabiam o quão perigoso era provocar diretamente o governo,só uma boa escrita e um senso crítico da própria empresa conseguiriam(e de fato conseguiram) com que não houvesse uma censura explícita.
 Sendo uma publicação mensal,os repórteres disponibilizavam de mais tempo para pesquisar e estudar os temas,o que no final enriquecia as reportagens,pois como contam José Carlos Marão e José Hamilton Ribeiro no livro “Realidade Re-vista”,se a pauta era sobre a situação do atendimento de urgência dos hospitais,havia uma espécie de pesquisa de campo,o repórter passava a viver por alguns dias a rotina do hospital e na hora de escrever permitia-se certas liberdades,sem é claro,desconfigurar os fatos.
 Tais liberdades podem ser consideradas a razão da descrição da revista como o início do New Journalism americano no país,o “jornalismo literário”,que se baseia na profundidade das reportagens de modo que sejam éticas e humanizadas,fugindo da extrema objetividade do jornalismo tradicional.Contudo,os jornalistas da “Realidade” nunca declararam fazer jornalismo literário,diziam apenas que escreviam para “conquistar o leitor” e realmente conseguiram,a revista agradou ao público,além de influenciar outros noticiários da época.
 Apesar do sucesso que atingiu,a revista “Realidade” abalou-se com AI-5 e suas brigas internas,e na sua terceira e última fase(de 1973 a 1976),seu formato já não era mais como o original,foi se tornando meramente informativa até o seu fechamento. No entanto,sua importância para o jornalismo brasileiro é inquestionável e ainda permanece como estudo nas principais universidades do país.



fontes:
José Carlos Marão