domingo, 17 de março de 2013

União Democrata Cristã perde eleição regional na Alemanha (18/05/12)


O Partido da chanceler alemã Angela Merkel perdeu as eleições no Estado da Renânia do Norte – Vestefália no último domingo (13)


 Uma histórica derrota ocorreu no Estado alemão da Renânia do Norte – Vestefália.A União Democrata Cristã obteve 26,3% dos votos contra 39,1% dos sociais democratas.Foi o pior desempenho da CDU na região desde a Segunda Guerra Mundial.Os Verdes,por sua vez,tiveram 11,3% e os liberais do FDP ficaram com 8,6%.
 E este não foi o único fracasso do partido de Merkel.Recentemente foi derrotado no Estado de Schleswig Holstein.Porém, a derrota nas urnas da Renânia teve maior impacto, por ser o Estado mais populoso e ter enorme influência no PIB nacional.
 O resultado mostra uma oposição à chanceler alemã, que é a maior defensora do pacto fiscal no continente, e ao seu candidato, Norbert Röttgen.
A crise europeia não é só econômica, mas também política.”Como na Grécia e na França, o eleitorado [alemão] está dizendo que não legitima políticas de austeridade, mas sim políticas que não prejudiquem a Europa social e o desenvolvimento econômico”,afirma Marcus Ianoni, professor do Departamento de Ciência Política da UFF.
 Assim, a candidata do SPD, Hannelore Kraft, e sua proposta de reforma gradual das contas sem a utilização de medidas de austeridade alcançaram a vitória.
Kraft e sua campanha bem sucedida podem melhorar o desempenho da Social Democracia no país, e testar a vulnerabilidade de Angela.
 Embora a esquerda se mostre contrária às atitudes de Merkel, a chanceler precisa buscar apoio para que o pacto fiscal seja ratificado.
 Faltando um ano para as eleições gerais,não se pode afirmar que a reeleição de Angela Merkel já está abalada, contudo Hannelore Kraft pode ser uma forte oponente e de certa forma,uma alternativa ao conversadorismo presente na Alemanha.






Após 18 anos, Argentina e Irã mostram interesse em dialogar sobre atentado (05/10/12)

Na quinta-feira, 27, os governos de ambos os países concordaram em continuar as negociações sobre o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994



 Em meio a Assembleia Geral da ONU em Nova York, os ministros de Relações Exteriores da Argentina e do Irã, Héctor Timerman e Ali Akbar Salehi, respectivamente, confirmaram na quinta-feira, 27, o comunicado proferido dois dias antes pela presidente argentina, Cristina Kirchner, de que os países irão retomar as negociações sobre o atentado contra a Amia em 1994. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad também havia pedido que esquecessem “os mal-entendidos” entre Buenos Aires e Teerã. Os representantes legais de ambos os ministérios devem se reunir este mês na sede da ONU em Genebra. Eles concordam que o processo de diálogo não pode ser interrompido até que se encontre uma solução “mutuamente estipulada” pelos dois governos.
 Carlos Eduardo Vidigal, professor de História da UnB, comenta que os governos mantiveram-se afastados por quase 20 anos devido ao resultado das investigações do caso, que apontaram o envolvimento de funcionários da Embaixada iraniana na capital argentina. Pode ter sido esta a mesma razão pela qual a comunidade judaica e o presidente da Amia, Guillermo Borger, criticaram o estabelecimento de um diálogo direto com o Irã.
 Enquanto para o professor de Relações Internacionais da UFF Emerson Maione de Souza, as pretensões argentinas estão ligadas à vontade de ajudar a justiça do país a esclarecer a questão, o professor Tomaz Espósito Neto, graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP, aponta o viés econômico de um possível acordo:
 “A Argentina procura abrir um mercado fechado desde 1994. É parte de uma iniciativa argentina de estreitar os laços econômicos com os países árabes. Já o Irã procura sair do isolamento internacional imposto pelas grandes potências, em razão do seu programa nuclear”.

O Caso

 O professor Maurício Santoro em sua tese de doutorado afirma que o país latino tornou-se alvo de ataques terroristas depois da posse em 1991 de Itzak Rabin como primeiro-ministro israelense. Rabin iniciou uma campanha de repressão ao grupo terrorista Hezbollah. No ano seguinte, o Hezbollah resolveu atacar um alvo judaico e escolheu a Embaixada de Israel em Buenos Aires, mas não parou por aí.

 A Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), que foi fundada em 1894 por um grupo de imigrantes judeus, em 18 de julho de 1994, diante da comemoração do centenário de sua criação,sofreu um ataque terrorista que destruiu sua sede em Buenos Aires, matando 85 pessoas e deixando outras centenas feridas. Doze anos mais tarde, os promotores argentinos Alberto Nisman e Marcelo Martinez de Burgos acusaram formalmente o governo do Irã de dirigir o ataque e o Hezbollah de realizá-lo. O Irã, por sua vez, sempre negou participação no ocorrido.

 Segundo o Prof. Dr. da FMU Ramiz Maddi Filho, a imensa comunidade judaica na Argentina pressiona o governo do país para solucionar o caso e mostra-se incrédula sobre os efeitos das negociações com os iranianos.





Sociais-Democratas vencem eleições holandesas (18/09/12)

Após eleições antecipadas , o partido do primeiro-ministro holandês Mark Rutte mantém-se no poder


 Embora as pesquisas de opinião mostrassem perda significativa no eleitorado do Partido do Trabalho (PVDA), este alcançou a vitória nas eleições holandesas realizadas na quarta-feira, 12. O resultado foi descrito como comprobatório da posição de alinhamento holandês com a União Europeia, mas o doutor em Sociologia Giorgio Romano Schutte atribui a vitória a uma mudança de discurso. “O PvdA na reta final optou por copiar o discurso da esquerda radical, esvaziando assim o discurso deles”, afirma.
 A disputa eleitoral ocorreu entre 21 partidos, na qual estavam os liberais de direita do VVD, principal rival do PVDA, o Partido Socialista (SP) de orientação de esquerda radical e o Partido da Liberdade (PVV), caracterizado pela figura anti-imigratória de Geert Wilders. Os dois últimos são forças políticas consideradas relativamente novas e possuem 10% de representação no parlamento.
 Porém, com as recentes eleições legislativas, os chamados “eurocéticos”, aqueles que defendem a saída da Holanda da zona do euro, como o PVV, perderam cadeiras parlamentares, enquanto os aliados de Mark Rutte conquistaram 41 cadeiras (dez a mais que nas eleições de 2010) de um total de 150. Uma nova coalizão será formada, já que desde a Segunda Guerra Mundial, nenhum partido conseguiu maioria absoluta para governar como partido único.
 Em abril, as divergências quanto aos planos de cortes orçamentários e a retirada de apoio do PVV fizeram o governo de centro direita (VVD + CDA e o PVV) ficar com a minoria no parlamento, sendo obrigado a renunciar. Assim, as eleições foram antecipadas para este mês. Mesmo o voto não sendo obrigatório, cerca de 13 milhões de eleitores compareceram às urnas.
 Mesmo sendo um dos únicos países a manter seus títulos de dívida com classificação máxima nas agências de risco², a Holanda sofre com a taxa de desemprego de 6%, a mais alta em seis anos e um déficit estimado em 4,6% do seu PIB.

2. Agências de risco são empresas que qualificam determinados produtos financeiros ou ativos (tanto de empresas, como de governos ou países), avaliam, atribuem notas e classificam esses países, governos ou empresas, segundo o grau de risco de que não paguem suas dívidas no prazo fixado.

Equador oferece asilo a Julian Assange (23/08/12)

Na semana passada, o governo equatoriano concedeu asilo político ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, contudo o caso ainda não apresenta soluções


 O australiano Julian Assange (JÁ), 41, que permanece desde 29 de junho na Embaixada do Equador em Londres, ganhou o direito de asilo político no país sul-americano na quinta-feira, dia 16.
 A decisão não agradou os outros países envolvidos. O Reino Unido declarou como sendo obrigatório o cumprimento da extradição de Julian para a Suécia.
 Autoridades suecas exigiram explicações ao embaixador equatoriano em Estocolmo pouco após o anúncio sobre a concessão de asilo político.
 Os Estados Unidos, por sua vez, declararam que não têm intenção de se envolver no assunto e que este cabe apenas aos governos britânico, sueco e equatoriano.
Contudo, de acordo com o ministro equatoriano das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, uma das preocupações em que foi baseada a concessão de asilo político a Assange, é a possibilidade de que ao ser extraditado para Suécia, o ciberativista seja entregue ao país norte-americano, onde pode ser julgado e condenado à prisão perpétua ou a pena de morte.
 Apesar da deliberação do governo equatoriano, os impasses continuam. Equador e Reino Unido não chegam a um consenso e o governo britânico ameaça quebrar com acordos diplomáticos e invadir a Embaixada do Equador no país.
Esta ameaça é considerada pelos pro-Assange como uma violação ao Congresso de Viena, que regula as regras de diplomacia desde 1961.
 O doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, Paulo Roberto de Almeida discorda. Segundo ele, a posição britânica de negar o salvo-conduto* ao fundador do WikiLeaks é correta, pois este não está sendo perseguido politicamente. Assim, a entrada na Embaixada pode ser um procedimento legítimo se o Reino Unido considerar um desrespeito à sua lei.
Já o doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília, Fernando Oliveira Paulino considera razoável a constituição de uma comissão de mediação com representações internacionais, para que os interesses de ambas as nações não sejam feridos.
 Julian Assange fundou o WikiLeaks em 2006. Em 2010, após publicar inúmeros documentos do governo norte-americano sobre possíveis crimes cometidos nas Guerras do Afeganistão e do Iraque, o site ganhou reconhecimento mundial. No mesmo ano, Julian foi acusado de estupro e abuso sexual na Suécia e tornou-se procurado pela Interpol. Apresentou-se à polícia em Londres, negando as acusações, foi preso e liberado dias depois.
 Se Londres cumprir com sua palavra e extraditar Assange para Suécia, ele teme que seja entregue aos Estados Unidos e processado pelo governo do país por espionagem, fraude e abuso de computadores. Assim, no último domingo, em um discurso na Embaixada equatoriana em Londres, JA agradeceu aqueles que o apóiam e pediu que o presidente Barack Obama renuncie a essa “caça às bruxas” ao site WikiLeaks.

*salvo-conduto: autorização para que Julian Assange deixe Londres sem ser preso.


História do Afeganistão será reescrita em livros escolares (31/08/12)


O Ministério da Educação afegão decidiu retirar quatro décadas da história do país do currículo escolar

 Tanto quanto o presente, o passado do  Afeganistão foi marcado por invasões e conflitos, porém o Ministério da Educação aprovou um novo currículo escolar de História, que pretende apagar alguns dos seus momentos mais conturbados.O material, que já começou a ser distribuído nas escolas do país, aparece com um hiato referente às últimas quatro décadas. É como se a história do país parasse nos anos 70.
 Diante de inúmeras discordâncias em relação ao início da guerra civil ou até mesmo a descrição dos grupos étnicos do país, os educadores responsáveis pelo material sugeriram que o período após a destituição, em 1973, do rei Mohammed Zahir Shah fosse omitido. Assim, não há detalhamento sobre como Shah foi derrubado pelo seu primo Sardar Mohammad Daud Khan, primeiro-ministro entre 1953 e 1963.
 Além disso, os diversos golpes dos anos 70, a invasão soviética em 1979, os governos comunistas em Cabul, a presença dos Estados Unidos desde 2001 e da Otan nem aparecem no novo currículo. Já a guerra civil entre facções mujahedin na década de 90, após retirada dos soviéticos, e que teve como conseqüência a criação do grupo fundamentalista islâmico Talibã é apenas citada.
 A justificativa para decisão foi a de eliminar, do aprendizado de crianças e jovens, as divisões étnicas e culturais que cercam a nação asiática e assim, tentar modelar um futuro melhor. Farooq Wardak, ministro da Educação do Afeganistão, ao defender o novo currículo, afirma que este não possui “ênfase política ou confessional”, o que de certa forma, retiraria visões e ideologias extremistas que permeavam os antigos livros. Porém, Ana Alice Ferreira, doutora em História Social da Cultura pela PUC-RJ faz uma ressalva: “A história de qualquer país é construída em cima dos interesses de uma camada da sociedade, portanto a atitude do governo afegão se enquadra nessa linha, a história não está isenta dos preconceitos sociais e das intenções políticas.”
 Em um país onde a liberdade de expressão é um tanto quanto limitada e o acesso à internet é restrito, a conduta do governo afegão pode ter uma imagem negativa. O professor afegão Abdul Qodoas, que foi entrevistado pela BBC no país, adverte: "Um dos principais objetivos de estudar História é não repetir os erros do passado. Se os alunos não aprenderem sobre a violência do passado, como vão evitá-la no futuro?" Ou seja, induzir os jovens a um ensino fragmentado, excluindo, em partes, a possibilidade de conhecimento dos seus antecedentes e de entendimento do próprio presente do país pode não trazer a desejada união a que Farooq Wardak se refere.






EGITO INICIA NOVA FASE POLÍTICA (03/06/2012)


 O país passa por eleições presidenciais após um ano da queda do ditador Hosni Mubarak


A Primavera Árabe estourou em 2010 na Tunísia.O ato de um estudante desesperado frente às condições de vida no país foi o estopim para uma série de manifestações.
 No Egito, dezoito dias após o ínicio dos protestos, o ditador Hosni Mubarak foi obrigado a renunciar.O Conselho Militar passou, então, a governar o país.
Só agora, após um ano do acontecimento, os egípcios escolherão um novo presidente.O primeiro turno ocorreu nos dias 23 e 24 deste mês, mas nenhum dos candidatos atingiu a maioria absoluta dos votos.Assim as eleições vão continuar nos dias 16 e 17 de junho.
 O processo eleitoral não está afastado de polêmicas, a organização Shayfeencum, responsável por fiscalizar o mesmo, acusa a Junta Militar de forjar votos por meio de eleitores inexistentes.A organização aponta um aumento de 10% no eleitorado em comparação com as eleições parlamentares de janeiro.
 O segundo turno será disputado por Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, e Ahmad Shafiq, um ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak.
 Mohammed Mursi é militante do grupo anti-israelense Comitê para a Resistência ao Sionismo, ligado à Irmandade Muçulmana.Esteve ativamente presente na oposição ao regime de Mubarak e teve o maior número de votos no primeiro turno das eleições, refletindo a posição política da população.
 Já Ahmad Shafiq é visto como alguém capacitado mas disposto a ceder à pressão política e, portanto, que não representaria as mudanças que a sociedade busca nesse momento histórico.É o que afirma o professor de Relações Internacionais Hermes Moreira Junior, da Universidade Federal de Grande Dourados (MS).
Serão vários os desafios para o futuro novo presidente.O Egito sofre com uma alta taxa de desemprego.A população pede, principalmente, por mais segurança e maior crescimento econômico.
 Hermes destaca o cuidado necessário para alcançar a estabilidade no país.”Será necessário um bom manejo político para evitar a polarização do parlamento e conduzir a articulação de uma nova constituição.Além do mais, , a transição com os militares que estão no poder precisa ser muito bem estruturada para evitar resquícios de sua participação no novo regime.”