Embora as pesquisas de opinião mostrassem perda
significativa no eleitorado do Partido do Trabalho (PVDA), este alcançou a
vitória nas eleições holandesas realizadas na quarta-feira, 12. O resultado foi
descrito como comprobatório da posição de alinhamento holandês com a União Europeia,
mas o doutor em Sociologia Giorgio Romano Schutte atribui a vitória a uma
mudança de discurso. “O PvdA na reta final optou por copiar o
discurso da esquerda radical, esvaziando assim o discurso deles”, afirma.
A disputa eleitoral ocorreu entre 21 partidos, na
qual estavam os liberais de direita do VVD, principal rival do PVDA, o Partido
Socialista (SP) de orientação de esquerda radical e o Partido da Liberdade
(PVV), caracterizado pela figura anti-imigratória de Geert Wilders. Os dois
últimos são forças políticas consideradas relativamente novas e possuem 10% de
representação no parlamento.
Porém, com as recentes eleições legislativas, os
chamados “eurocéticos”, aqueles que defendem a saída da Holanda da zona do
euro, como o PVV, perderam cadeiras parlamentares, enquanto os aliados de Mark
Rutte conquistaram 41 cadeiras (dez a mais que nas eleições de 2010) de um
total de 150. Uma nova coalizão será formada, já que desde a Segunda Guerra
Mundial, nenhum partido conseguiu maioria absoluta para governar como partido
único.
Em abril, as divergências quanto aos planos de cortes orçamentários e a retirada
de apoio do PVV fizeram o governo de centro direita (VVD + CDA e o PVV) ficar com a minoria
no parlamento, sendo obrigado a renunciar. Assim, as eleições foram antecipadas
para este mês. Mesmo o voto não sendo obrigatório, cerca de 13 milhões de
eleitores compareceram às urnas.
Mesmo sendo um dos únicos países a
manter seus títulos de dívida com classificação máxima nas agências de risco²,
a Holanda sofre com a taxa de desemprego de 6%, a mais alta em seis anos e um
déficit estimado em 4,6% do seu PIB.
2. Agências
de risco são empresas que qualificam determinados produtos financeiros ou ativos (tanto de
empresas, como de governos ou países), avaliam, atribuem notas e
classificam esses países, governos ou empresas, segundo o grau de risco de que não
paguem suas dívidas no prazo
fixado.
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