sexta-feira, 28 de junho de 2013

TUDO JUNTO E CONCENTRADO

Durante quase 60 anos, o transporte público de Bauru foi comandado por uma única empresa

 Fioravante Tedesco fundou a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) em 1939. Dois anos mais tarde, no contexto da Segunda Guerra Mundial, alguns problemas começaram a atrapalhar o negócio. A escassez de peças, pneus, gasolina e óleo fez com que a empresa fosse vendida para o dono de uma oficina mecânica, Alexandre Quaggio.
 A família Quaggio tornou-se então proprietária da única empresa de transporte público bauruense e deteve todo o poder do setor até 1996, quando houve a quebra de monopólio. A quebra iniciou-se em 1993, com eleição de Antônio Tidei Lima para prefeito. Tidei afirma que um dos fatores para tal decisão estava relacionado às dificuldades da empresa em atender as demandas da população, que já passava de 250 mil habitantes.
 O processo de licitação ocorreu com a abertura de dois lotes para concessão, sendo que a ECCB foi impedida de participar por conter débitos com o INSS. Assim as vencedoras dos lotes foram Kuba Turismo e a filial da Transportes Urbanos Araçatuba, a chamada Cidade Sem Limites. O ex-prefeito também explica a criação de uma Câmara de Compensação, pois os preços oferecidos pelas empresas no processo de licitação estavam abaixo do valor de mercado. Uma delas ganhou o lote oferecendo um valor de R$0,43 por passagem e a outra R$0,45. O preço da passagem na época era R$0,50, assim para manter a concorrência justa, a Câmara de Compensação recolhia a diferença entre o preço praticado e o preço que fora oferecido na concessão.
 Em dezembro de 1996, foi consolidada a quebra do monopólio e novas linhas foram criadas para que as duas novas empresas operassem. Porém a ECCB continuou com 88% das linhas já existentes e a Kuba e Cidade Sem Limites só puderam pegar 25% dos usuários, sob alegação de evitar o prejuízo da antiga dona do transporte público. Nas eleições de 1997, Antônio Izzo Filho assumiu novamente a prefeitura. Em 1998 foi cassado e um ano depois preso por desvio de verba federal em um projeto habitacional e por aceitar propina de uma das responsáveis pelo transporte público municipal, além de permitir que as empresas negociassem entre si trocas de linhas sem o conhecimento público.        No ano de 2000, foi decretada a falência da Empresa Circular Cidade de Bauru e as outras duas concessionárias tiveram que assumir as linhas operadas pela Circular.


O poder e o controle hoje

 Três empresas são responsáveis pelos ônibus na cidade: a Baurutrans, a Cidade Sem Limites e a Grande Bauru. Existem suspeitas que a antiga Kuba, hoje Baurutrans CN Transportes Gerais, foi comprada por Nenê Constantino, o rei do transporte terrestre, que é dono da Andorinhas, Reunidas, Transportes Urbanos Araçatuba, entre outras, além de ser dono da Gol Linhas Aéreas. Constantino também manteria o controle acionário de outras empresas de transporte urbano atuantes em Bauru. Tal fato caracterizaria um novo monopólio. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Você viveria de graça?

A cultura do ter, o consumo desenfreado, uma geração de workaholics infelizes e depressivos. O estilo de vida a que as pessoas se submetem baseado no tripé: estudar, trabalhar, acumular. E então uma pergunta vem à tona: E se dinheiro não existisse? Este é o título de um vídeo que já se espalhou pelo Facebook e que levanta a questão para dizer: viva sem pensar na recompensa, faça o que gosta, este é o primeiro passo para ser feliz.
Parece utópico e em uma sociedade com os padrões atuais é bem difícil de imaginar, mas basta uma rápida pesquisa na internet para se encontrar casos verídicos de pessoas que abdicaram desse pedacinho de papel e perceber que o resultado é unânime: elas se dizem mais livres e felizes.
Não, não estou dizendo que todos deveriam seguir os passos dessas pessoas e o mundo se tornar uma grande reprodução do filme "Natureza Selvagem", confesso que eu mesma não seria capaz disto. Porém talvez seja preciso repensar o modo como o dinheiro nos influencia e principalmente, no uso que fazemos dele, porque talvez seja este o maior problema.