Durante quase 60 anos, o transporte público de Bauru
foi comandado por uma única empresa
Fioravante Tedesco fundou a Empresa Circular Cidade
de Bauru (ECCB) em 1939. Dois anos mais tarde, no contexto da Segunda Guerra
Mundial, alguns problemas começaram a atrapalhar o negócio. A escassez de
peças, pneus, gasolina e óleo fez com que a empresa fosse vendida para o dono
de uma oficina mecânica, Alexandre Quaggio.
A família Quaggio tornou-se então proprietária da
única empresa de transporte público bauruense e deteve todo o poder do setor
até 1996, quando houve a quebra de monopólio. A quebra iniciou-se em 1993, com
eleição de Antônio Tidei Lima para prefeito. Tidei afirma que um dos fatores
para tal decisão estava relacionado às dificuldades da empresa em atender as
demandas da população, que já passava de 250 mil habitantes.
O processo de licitação ocorreu com a abertura de
dois lotes para concessão, sendo que a ECCB foi impedida de participar por
conter débitos com o INSS. Assim as vencedoras dos lotes foram Kuba Turismo e a
filial da Transportes Urbanos Araçatuba, a chamada Cidade Sem Limites. O
ex-prefeito também explica a criação de uma Câmara de Compensação, pois os
preços oferecidos pelas empresas no processo de licitação estavam abaixo do
valor de mercado. Uma delas ganhou o lote oferecendo um valor de R$0,43 por
passagem e a outra R$0,45. O preço da passagem na época era R$0,50, assim para
manter a concorrência justa, a Câmara de Compensação recolhia a diferença entre
o preço praticado e o preço que fora oferecido na concessão.
Em dezembro de 1996, foi consolidada a quebra do
monopólio e novas linhas foram criadas para que as duas novas empresas
operassem. Porém a ECCB continuou com 88% das linhas já existentes e a Kuba e
Cidade Sem Limites só puderam pegar 25% dos usuários, sob alegação de evitar o
prejuízo da antiga dona do transporte público. Nas eleições de 1997, Antônio
Izzo Filho assumiu novamente a prefeitura. Em 1998 foi cassado e um ano depois
preso por desvio de verba federal em um projeto habitacional e por aceitar
propina de uma das responsáveis pelo transporte público municipal, além de
permitir que as empresas negociassem entre si trocas de linhas sem o
conhecimento público. No ano de 2000, foi decretada a falência da Empresa
Circular Cidade de Bauru e as outras duas concessionárias tiveram que assumir
as linhas operadas pela Circular.
O
poder e o controle hoje
Três empresas são responsáveis pelos ônibus na
cidade: a Baurutrans, a Cidade Sem Limites e a Grande Bauru. Existem suspeitas
que a antiga Kuba, hoje Baurutrans CN Transportes Gerais, foi comprada por Nenê
Constantino, o rei do transporte terrestre, que é dono da Andorinhas, Reunidas,
Transportes Urbanos Araçatuba, entre outras, além de ser dono da Gol Linhas
Aéreas. Constantino também manteria o controle acionário de outras empresas de
transporte urbano atuantes em Bauru. Tal fato caracterizaria um novo monopólio.
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