O australiano Julian Assange (JÁ), 41, que permanece
desde 29 de junho na Embaixada do Equador em Londres, ganhou o direito de asilo
político no país sul-americano na quinta-feira, dia 16.
A decisão não agradou os outros países envolvidos. O
Reino Unido declarou como sendo obrigatório o cumprimento da extradição de
Julian para a Suécia.
Autoridades
suecas exigiram explicações ao embaixador equatoriano em Estocolmo pouco após o
anúncio sobre a concessão de asilo político.
Os Estados Unidos, por sua vez, declararam que não
têm intenção de se envolver no assunto e que este cabe apenas aos governos
britânico, sueco e equatoriano.
Contudo, de acordo com o ministro equatoriano das
Relações Exteriores, Ricardo Patiño, uma das preocupações em que foi baseada a
concessão de asilo político a Assange, é a possibilidade de que ao ser
extraditado para Suécia, o ciberativista seja entregue ao país norte-americano,
onde pode ser julgado e condenado à prisão perpétua ou a pena de morte.
Apesar da deliberação do governo equatoriano, os
impasses continuam. Equador e Reino Unido não chegam a um consenso e o governo
britânico ameaça quebrar com acordos diplomáticos e invadir a Embaixada do
Equador no país.
Esta ameaça é considerada pelos pro-Assange como uma
violação ao Congresso de Viena, que regula as regras de diplomacia desde 1961.
O doutor em Ciências Sociais pela Universidade de
Bruxelas, Paulo Roberto de Almeida discorda. Segundo ele, a posição britânica
de negar o salvo-conduto* ao fundador do WikiLeaks é correta, pois este não
está sendo perseguido politicamente. Assim, a entrada na Embaixada pode ser um
procedimento legítimo se o Reino Unido considerar um desrespeito à sua lei.
Já o doutor em Comunicação pela Universidade de
Brasília, Fernando Oliveira Paulino considera razoável a constituição de uma
comissão de mediação com representações internacionais, para que os interesses
de ambas as nações não sejam feridos.
Julian
Assange fundou o WikiLeaks em 2006. Em 2010, após publicar inúmeros documentos
do governo norte-americano sobre possíveis crimes cometidos nas Guerras do
Afeganistão e do Iraque, o site ganhou reconhecimento mundial. No mesmo ano,
Julian foi acusado de estupro e abuso sexual na Suécia e tornou-se procurado
pela Interpol. Apresentou-se à polícia em Londres, negando as acusações, foi
preso e liberado dias depois.
Se
Londres cumprir com sua palavra e extraditar Assange para Suécia, ele teme que
seja entregue aos Estados Unidos e processado pelo governo do país por espionagem,
fraude e abuso de computadores. Assim, no último domingo, em um discurso na
Embaixada equatoriana em Londres, JA agradeceu aqueles que o apóiam e pediu que
o presidente Barack Obama renuncie a essa “caça às bruxas” ao site WikiLeaks.
*salvo-conduto:
autorização para que Julian Assange deixe Londres sem ser preso.
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