domingo, 17 de março de 2013

Equador oferece asilo a Julian Assange (23/08/12)

Na semana passada, o governo equatoriano concedeu asilo político ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, contudo o caso ainda não apresenta soluções


 O australiano Julian Assange (JÁ), 41, que permanece desde 29 de junho na Embaixada do Equador em Londres, ganhou o direito de asilo político no país sul-americano na quinta-feira, dia 16.
 A decisão não agradou os outros países envolvidos. O Reino Unido declarou como sendo obrigatório o cumprimento da extradição de Julian para a Suécia.
 Autoridades suecas exigiram explicações ao embaixador equatoriano em Estocolmo pouco após o anúncio sobre a concessão de asilo político.
 Os Estados Unidos, por sua vez, declararam que não têm intenção de se envolver no assunto e que este cabe apenas aos governos britânico, sueco e equatoriano.
Contudo, de acordo com o ministro equatoriano das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, uma das preocupações em que foi baseada a concessão de asilo político a Assange, é a possibilidade de que ao ser extraditado para Suécia, o ciberativista seja entregue ao país norte-americano, onde pode ser julgado e condenado à prisão perpétua ou a pena de morte.
 Apesar da deliberação do governo equatoriano, os impasses continuam. Equador e Reino Unido não chegam a um consenso e o governo britânico ameaça quebrar com acordos diplomáticos e invadir a Embaixada do Equador no país.
Esta ameaça é considerada pelos pro-Assange como uma violação ao Congresso de Viena, que regula as regras de diplomacia desde 1961.
 O doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, Paulo Roberto de Almeida discorda. Segundo ele, a posição britânica de negar o salvo-conduto* ao fundador do WikiLeaks é correta, pois este não está sendo perseguido politicamente. Assim, a entrada na Embaixada pode ser um procedimento legítimo se o Reino Unido considerar um desrespeito à sua lei.
Já o doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília, Fernando Oliveira Paulino considera razoável a constituição de uma comissão de mediação com representações internacionais, para que os interesses de ambas as nações não sejam feridos.
 Julian Assange fundou o WikiLeaks em 2006. Em 2010, após publicar inúmeros documentos do governo norte-americano sobre possíveis crimes cometidos nas Guerras do Afeganistão e do Iraque, o site ganhou reconhecimento mundial. No mesmo ano, Julian foi acusado de estupro e abuso sexual na Suécia e tornou-se procurado pela Interpol. Apresentou-se à polícia em Londres, negando as acusações, foi preso e liberado dias depois.
 Se Londres cumprir com sua palavra e extraditar Assange para Suécia, ele teme que seja entregue aos Estados Unidos e processado pelo governo do país por espionagem, fraude e abuso de computadores. Assim, no último domingo, em um discurso na Embaixada equatoriana em Londres, JA agradeceu aqueles que o apóiam e pediu que o presidente Barack Obama renuncie a essa “caça às bruxas” ao site WikiLeaks.

*salvo-conduto: autorização para que Julian Assange deixe Londres sem ser preso.


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