No contexto da ditadura militar e da censura, em 1969 foi criado um jornal que buscava por meio do humor fazer críticas, "driblar" a falta de liberdade de expressão e mudar certos pensamentos quadrados. Este jornal era o Pasquim, que teve como musa a atriz Leila Diniz, que para época era uma figura exuberante, destoante daquela sociedade, por falava sem pudores e viver a favor da liberdade, em todos os sentidos. Meu texto é inspirado na entrevista que Leila deu ao Pasquim, a qual teve enorme repercussão pelo seu modo debochado e pela quantidade de palavrões que a entrevistada usava. Além do mais, faz parte de um trabalho no qual eu e mais algumas amigas fizemos uma reedição do Pasquim.
Ah, se todos vivessem a la
Leila Diniz! Imagina: deita, rala, rola, rock’n roll, tchau, vai embora, sem
casamento, sem anelzinho, sem padrinhos. Pra que gastar dinheiro? Escolhe o
parceiro (a), paga um jantar. Mais barato, mais fácil de desapegar! Esse mimimi
de gente chata, moralista, toda essa enrolação. Casamento, amor, tudo
blasfêmia, no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração
e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
Adão e Eva adoravam uma
maçã como todo bom ser humano, gostavam mesmo é da parte dark, da sacanagem. “Proibido é mais gostoso!” – eles gritaram
antes de serem expulsos do Jardim. Aliás, Jardim do Éden é essa sociedade,
todos destinados a reprodução, a mocinha de família destinada ao marido. Coisa
careta, tradição piegas! Viver de casinhos é mais legal, mais emocionante,
porque no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e
ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
Sabe, todos deveriam adotar
essa cultura de paz e amor, ela é bem bacaninha, com todo perdão do trocadilho.
Essa história do prazer livre, liberar o corpo e não reprimir vontade parece
até utopia, mas é linda, muito linda. O mundo seria tão mais feliz sem
repressão! Tá com vontade? Vai lá e PÁ! Mas calma, porque até Leila Diniz tem
seus pudores, a questão aqui é desejo, vontade. A diva diz: “Dou pra todos, mas
não pra qualquer um.” E é assim que tem que ser. Abrir as pernas com critério,
pode até ser pouquinho, porque no fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou
onde bate o coração e ficam os peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO
MESMO!
E se censurarem essas
ideias, meu repúdio a esse amor brega, todo quadradinho, vou gritar pra todo
mundo ouvir: VÃO DÁ SUAS PUTAS E SEUS VIADOS! Porque até vocês sabem que no
fundo, bem no fundo, lá na cabeça debaixo ou onde bate o coração e ficam os
peitos, todo mundo só quer uma coisa: AQUILO MESMO!
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